Histórias que aumentam a consciência vegana

Cristina Rodrigo

Existem histórias que se movem. Por que entrar em confrontos se temos uma ferramenta tão poderosa para aumentar a conscientização?

"Ficar com raiva e apontar para as pessoas não leva a lugar nenhum. Você tem que tocar o coração das pessoas e a melhor maneira de fazer isso é contando histórias." O autor desta frase é a conhecida primatologista Jane Goodall.

Esta excelente comunicadora se afasta de discursos de confronto e está empenhada em ouvir e encontrar um terreno comum com aqueles que pensam radicalmente diferente dela. Goodall acredita no poder de "contar histórias", de contar histórias, para provocar mudanças nas pessoas.

Empatia é a chave

No movimento vegano, tendemos a nos afastar da teoria de Goodall. Ficamos com raiva e chamamos de hipócritas aqueles que se declaram amantes dos animais enquanto ainda comem carne.

Portanto, ele não está convencido. Não seguimos o conselho do primatologista de ter empatia com nossos interlocutores e esquecer como éramos antes de sermos veganos. Assim, o que conseguimos é que as pessoas que acusamos fiquem na defensiva, o que levanta uma barreira de comunicação intransponível.

Essa barreira de comunicação é especialmente fácil de criar quando defendemos discursos polêmicos com pouca aceitação social, como o veganismo. E é aqui que "contar histórias", a arte de contar histórias, desempenha um papel crucial.

De acordo com um estudo publicado pela SAGE Publishing no ano passado, em discursos altamente polarizados que facilmente geram contra-argumentos, as histórias podem facilitar a escuta e diluir pensamentos que geram rejeição ou negação. Isso acontece porque nosso cérebro adora histórias, literalmente.

Oxitocina para chegar ao coração

Paul J. Zak, diretor do Centro Americano de Estudos Neuroeconômicos, descobriu que, quando ouvimos uma história convincente, o cérebro libera oxitocina, o "hormônio do amor". Isso nos torna mais compassivos, confiantes e generosos. Um coquetel perfeito para plantar as sementes de uma mudança.

Para que essas sementes floresçam, é vital que a "moral" da história nos leve a acreditar que nossa ação é necessária e eficaz.

Isso é demonstrado por um estudo sobre a eficácia da "narrativa" para atuar diante da emergência climática. As pessoas devem ser informadas não apenas sobre os motivos pelos quais devem mudar; Você também precisa ensiná-lo a fazer isso e mostrar que sua mudança teve um impacto significativo.

Histórias que mexem

Os exemplos do uso de "contar histórias" pelos movimentos sociais são numerosos. Desde o cartoon lançado pelo Greenpeace para falar sobre as consequências do uso do óleo de palma, até o "lapso de tempo" de Save the Children para mostrar como a vida de uma menina síria muda com a guerra.

Dentro do movimento vegano, a icônica história de Vita, o cachorro resgatado pela Animal Equality do comércio de carne de cachorro na China, serviu para ilustrar a enorme carga cultural por trás dos animais que escolhemos amar e quais comer.

É impossível saber quantas consciências essas histórias despertaram. Pois é, infelizmente, saber a chave mágica para gerar uma mudança na sociedade. Mas é reconfortante e esperançoso descobrir que há evidências de que podemos criar um mundo melhor com histórias. Então vamos acreditar e contar as histórias que vão mudar o mundo.

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