Os países mediterrâneos sofrerão mais com as mudanças climáticas
Claudina navarro
Ondas de calor, secas, falta de alimentos, doenças e níveis crescentes de males são algumas das consequências que o aquecimento global trará aos países mediterrâneos.

Alguns lugares do planeta já estão sofrendo e sofrerão ainda mais no futuro com as consequências das mudanças climáticas. Um desses lugares é a bacia do Mediterrâneo, onde vivem mais de 500 milhões de pessoas.
O Instituto Mediterrâneo de Biodiversidade e Ecologia, com sede na França, apresentou um relatório que alerta que já houve um aumento da temperatura de 1,5 ºC acima da média da era pré-industrial na região. Esses dados indicam que o aquecimento e suas consequências afetam o Mediterrâneo 20% mais rápido do que em outras partes do planeta.
As consequências do aumento da temperatura serão agravadas
Segundo Wolfgang Cramer, diretor científico do instituto, em 2040 o aumento da temperatura chegará a 2,2 graus e em 2100 a 3,8. Uma das piores consequências serão as ondas de calor, incêndios ou secas extremas que atingem com frequência a região e dificultam o acesso à água para 250 milhões de pessoas, especialmente na costa norte africana e no Médio Oriente. As ondas de calor experimentadas na Espanha no verão passado foram apenas uma prévia do que está por vir.
Ondas de calor, falta de água e comida
Parece pouco, mas um metro de elevação do nível do mar pode deixar terras férteis que hoje fornecem alimentos a milhões de pessoas alagadas ou afetadas pela salinidade.
Algumas dessas áreas são os estuários e foz dos rios Nilo, Ebro, Ródano e Pó. Alcançaremos essa elevação do nível do mar no ano 2100 e isso porá em risco a dieta de 37 milhões de pessoas no Norte da África. Cenários futuros sugerem que haverá conflitos sobre o acesso a recursos e migrações em massa.
A saúde das populações vai piorar
A mudança climática também representará uma ameaça à saúde: a qualidade da água, do ar e dos alimentos piorará, a poluição se concentrará, as alergias aumentarão, haverá mais doenças respiratórias e cardiovasculares.
E a degeneração dos ecossistemas que sustentam a biodiversidade continuará, começando pela vida marinha. O desequilíbrio ecológico vai favorecer, entre outros fenômenos, as pragas de águas-vivas ou a invasão de mosquitos tigres, capazes de transmitir doenças.
O relatório foi encomendado pela União para o Mediterrâneo e apresentado no seu IV Fórum Regional, realizado em Barcelona. O vice-presidente da União para o Mediterrâneo, Grammenos Mastrojeni, explicou que os governantes devem tomar decisões para reduzir as emissões de CO2. Ele acredita que os políticos conhecem o problema, mas a engrenagem político-social não permite que eles encontrem soluções rápidas.
A natureza não será capaz de sustentar a humanidade
Por outro lado, outros estudos chamam a atenção para a situação da natureza, cada vez mais à mercê das mudanças climáticas. Um projeto, batizado de Capital Natural, liderado pela Universidade de Stanford e do qual participou o Centro Basco de Mudanças Climáticas, alerta que as mudanças climáticas estão ameaçando os processos naturais que sustentam a produção de alimentos para a humanidade, como a polinização de colheitas por abelhas e outros insetos e pássaros, ou a renovação da água.
Tudo é consequência do aumento da atividade humana (o aumento da população, a urbanização e a proporção de terras dedicadas à agricultura) que se volta contra nós. E quem vai sofrer mais são as populações mais desfavorecidas da Ásia e da África, de acordo com este estudo.
Grande parte da humanidade sofrerá as consequências
De acordo com o modelo de previsão desenvolvido pelos pesquisadores, até 2050, 4,5 bilhões de pessoas estarão expostas a altos níveis de poluição da água, 5 bilhões sofrerão escassez de alimentos devido à perda de safras devido à polinização insuficiente e 500 milhões sofrerão. o aumento do nível do mar.
Todos esses números são oferecidos por modelos matemáticos sofisticados que trabalham com as informações fornecidas por satélites sobre as atividades humanas e a situação de cada centímetro do planeta Terra.
Os pesquisadores propõem que sejam tomadas medidas especialmente contra as consequências das mudanças climáticas nas áreas mais vulneráveis, como o Sudeste Asiático ou a África Subsaariana.